Wednesday, 8 July 2009

Os salários dos jogadores de futebol devem ser limitados?


Ricardo Acampora
8/07/2009, 03:41 PM
Pelé resolveu entrar na discussão sobre a necessidade de se impor um limite aos salários dos jogadores de futebol. O ex-jogador disse que o teto salarial evitaria os abusos e distorções que existem atualmente e que podem acabar prejudicando o esporte.
Pelé se junta assim a Sepp Blatter, o presidente da Fifa, a Michel Platini, presidente da Uefa e a vários presidentes e técnicos de clubes de diversas ligas europeias.
A divulgação dos novos salários de Kaká (9 milhões de euros, aproximadamente R$ 24 milhões) e de Cristiano Ronaldo (13 milhões de euros) voltou a aquecer o debate. O presidente do Real Madrid, Florentino Pérez disse que dinheiro pago a craque "não é despesa, é investimento, pois eles se pagam com sobras".
E esse é exatamente o ponto central da controvérsia. Ninguém se importa se os super craques ganham bem, são as estrelas maiores de um negócio cada vez mais milionário.
Mas ninguém é inocente. O valor do passe, acrescido de salários, bônus e lucro saem da receita dos clubes, o que no final das contas vale dizer que são pagos pelos torcedores, que vão aos jogos, que compram camisas e brindes, que veem as partidas pela TV, que consomem os produtos das marcas estampadas nas camisas, nas placas de publicidade dos estádios e nos comerciais de TV durante as transmissões dos jogos.
Essa é a regra do jogo.
Aqui na Inglaterra, o tema tem provocado sempre muita polêmica. Segundo pesquisas recentes, a Premier League tem a média salarial mais elevada de todos os campeonatos europeus, e quase certamente de todo o mundo, 21 mil libras por semana, ou um salário equivalente a R$ 265 mil por mês.
A folha de pagamentos do Chelsea no ano passado passou dos R$ 540 milhões.
E o fenômeno não se limita aos times de ponta. O West Ham, time aqui de Londres que terminou em nono lugar no último campeonato, gastou com salários dos jogadores e técnicos 75% de tudo o que arrecadou na temporada.
Talvez o melhor exemplo da distorção que os altos salários têm provocado se encontre no Newcastle United, que foi rebaixado para a segunda divisão.
O clube tem encontrado muita dificuldade em vender pelo menos 10 de seus jogadores que estão sendo cobicados por outros clubes daqui e de outros países, simplesmente porque ganham salários inflacionados, que segundo o mercado, não condizem com a capacidade técnica que demonstram em campo.
Essa inflação do mercado que tanto eleva o salário do craque como o do jogador medíocre, tem aumentado constantemente o custo para o torcedor que acompanha seu time.
Segundo o jornal inglês The Guardian, nesta última temporada o custo médio para se assistir a um jogo da Premier League, fora de casa, ou seja, ali incluído custo de transporte, ficou em 90 libras (quase R$ 300).
Por enquanto os números da bilheteria não têm sido afetados pelos altos custos e os clubes ingleses ainda aparecem no alto das listas dos mais ricos do mundo.
Resta saber até quando o torcedor médio vai se conformar em financiar salários desproporcionais.
Mais de 40% já disseram que apoiam a introdução dos tetos salariais. Parece que o Pelé não vai ficar sozinho.

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